Thursday, June 27, 2013

Pássaros doidos

Somos dois pássaros doidos
Nas trincheiras do amor
Rastejando pelo arame farpado
do roseiral
E o chão mancha-se de vermelho
das rosas caidas
E sofremos dos estilhaços
de não poder voar juntos
Pisamos as minas 
Conscientes
Porque queremos ser
Enterrados
Um no outro

Friday, May 24, 2013

Renascimento


Há uma madeixa do teu cabelo,
Um desenho de lábios macios,
Teu rosto é belo,
Sem artifícios!

Custa-me a tua ausência,
As minhas mãos nuas à tua espera,
Suave anuência,
Do teu corpo de pantera!

Vem! Traz o teu calor!
Veste a poesia do amor,
Sussurra ao meu ouvido,
Que sou o teu querido!

Quem pode aguentar,
Segurar pela juba o leão?
Esta vontade de amar,
Entregar-se à paixão?

Sabes o que dizem de mim?
Que nunca me viram assim!
E perguntam o que aconteceu;
E digo-lhes: Homem novo, que renasceu!

Sermos nós dois no céu a voar...




Entre o deserto e o mar
Não sei que escolha
Que rumo tomar

Sou uma folha
No Outono
Caindo no sono

Procurando o sonho
Que nunca chega
Destino medonho

E querer tanto alcançar
Esse lugar de quimera
Onde floresce a Primavera

Voo de pássaro liberto
No peito um coração
Que bate sem acerto!

Chegar onde não posso
Alto voar em vão
Ser colosso neste fosso

De apenas andar à toa
À tua volta
Que és tão boa!

Não dar a vida, reviravolta pois!
Ficar contigo, bilhete só de ida,
Amar! Sermos nós dois no céu, a voar…

Saturday, October 10, 2009

O Teu Lado Negro




Dá-me as tuas fraquezas,

As tuas dúvidas e incertezas,

Os erros mais abjectos,

As tuas falhas inconfessáveis,

Os teus pecados mais secretos!


Dá-me a tua chuva intensa, pesada,

Os teus dias carregados e cinzentos.

Deixa-me espalhar a tua tristeza,

Lançá-la no ar, carregada nos ventos!


Dá-me as tuas coisas negras, doentias,

As pústulas, as feridas, as dores,

Os teus pesadelos, cheios de horrores,

Os teus arrepios, as febres frias!


Dá-me as telas loucas,

Pintadas na frustração,

Com o pincel da angústia,

A guiar-te a mão!


Serão o meu tesouro precioso,

Obras-primas do meu museu!

E quando estiver angustiado e furioso,

Quem se acalmará ao vê-las serei eu!


Prefiro andar perdido,

No meio da tua fraqueza,

Que entre a fúria dos dias;

Que lhes rouba a beleza!


Deixa-me ser teu anjo alado,

Designado pra te guardar,

Caído, para andar ao teu lado,

Para dar brilho ao teu olhar!


E será no AGORA, -- o usufruto,

Que crescerá um amor bruto,

Forte, poderoso e renascido,

Sentimento crescente e acrescido!


Voaremos como águias renascidas,

E em nós uma vida, serão vidas!

Quero seguir-te por onde vais,

Ir contigo, por dias nunca iguais!


É a tua fraqueza que o faz acontecer…

És para mim, fruto intenso, apetecido

Só nos teus braços, consigo adormecer,

Ronronar como um vulcão adormecido!

Saturday, January 24, 2009

O tição do amor!



Perdoa este fogo mortiço
Já não incendeia, é postiço
E queria-o de novo forte e quente
Para aí, no peito, estares contente

Não, não sorrias dessa maneira,
Com esse olhar doce e maroto,
Que me traz assomos de garoto.
E me incita a doideira!

Chegas agora, talvez tarde...
Em mim já não há fulgor,
Apenas a vontade ainda arde,
O desejo, o tição do amor!

Saturday, April 19, 2008

No teu olhar...


(a foto tirei daqui)


No teu olhar...
Talvez encontre mais que olhar!
Talvez se veja o mar,
E a vontade de aportar!
Talvez encontre o cobertor,
Para este frio.
A lágrima sem dor,
A quem sorrio.
No teu olhar...
Há promessa que não prometeu,
O homem vazio e nu,
Que tu dizes que sou eu!

Thursday, January 24, 2008

Ilusão



Há uma ilusão,
Que custa a dispersar.
Uns lábios presos,
Paralisados no teu nome.
Uma distância,
Que não diminui.

E não importa a força...
A dimensão do querer!
O ódio ou o amor,
A beleza ou a falta dela;
Só importas tu!

Monday, November 05, 2007

Pássaro louco!


foto aqui

Só tu acordas,
Desnorteado,
Este coração!
Qual pássaro louco,
Cantando,
O anunciar da primavera!
Desejoso de voar,
No verde do teu olhar!

Saturday, October 27, 2007

A cama fria




Foi bom ver-te dormir
Deitada em minha cama
Mas tiveste de partir

Agora está desfeita e vazia...
Na ausência de quem se ama
É triste... A cama esfria...

Saturday, September 29, 2007

No lodaçal



Descrevo coisas que não sei,
Beijos doces, que não experimentei!
Amores de fogo, incandescentes
Que sonhei, nunca presentes!

Paixões de mentira e fantasia,
Para me consolar de vida triste!
Foi antes sonhar o que seria,
Coisas de mim, que nunca viste!

Fui feliz, nessa irrealidade,
Breve instante, que foi fugaz!
Quis acreditar que era verdade!
O que a frustração nos faz!

Mas foi verdade este amor,
Que senti transformador!
Capaz de mudar o mundo todo;
(Mas não era nada,)
Era eu a chafurdar no lodo!

Saturday, July 14, 2007

Maduro campo...


a foto veio deste post


Podes perder ao longo o olhar,
Neste maduro campo de trigo
A espiga cheia, acabada de dourar
O monte inteiro, a meter-se comigo!

“Sei o que desejas!” --
Sussura a terra castanha –
“Nesta Primavera que festejas,
A alegria que em mim venha!”

E sem delongas nem enleios,
Alguém virá pisar este chão,
Da haste enterrada colher grão,
Achar espiga, entre os teus seios!

Friday, June 15, 2007

Sofreguidão...

A foto foi tirada
daqui

É a tua fome que me alimenta,
Nesse teu desejo ardente,
A mão que afaga e acalenta,
E faz a fria noite, quente!

Que o meu corpo sacie a tua fome!
Que eu seja teu e o mais que for,
E que eu em teu corpo tome,
Intenso e renovado ardor!

E que me queime e arda!
O fim é breve, já não tarda,
Mas que antes de acabar,
Ganhes asas e possas voar!

Monday, May 28, 2007

Poema dela...

foto aqui

Embala
Com o fulgor da bala
Pólvora estrepitante
Faz desse instante
A tua vida concentrada
Leva-me até ao mar
Sentir-me molhada
Nesse gênesis a acontecer
Em que por amar
Me sinto viver!
Dá-me tudo e fica cheio
Não deixes a coisa a meio
Abre-me, racha-me
Em minha racha
Acha-me
Na fogueira da tua acha
E num instante pequeno,
Faz-se a felicidade
Sentir seu cheiro em pleno
E inunda-me desse leite
Pra que no frémito do tremor
Sinta o deleite
De que vale a pena o amor!

Saturday, May 26, 2007

Amanhece

a foto foi tirada daqui (vale a pena ler)

Amanhece
A cama está vazia…
A tua ausência enternece,
O começar do meu dia!

Ai se eu fosse o ar que respiras,
Seria teu até ao sufoco!
Dar-te-ía mais do que me tiras,
E saber-me-ía sempre a pouco!

Friday, April 06, 2007

Pôr-lhe um fim...

in www.escritoscriativos.blogspot.com
Não quero saber como começou
Foi um pó que você soprou
Caiu em meu olho e fez chorar
Não, não me importa se é de acabar

Já nada importa mais, nem um pouco,
Amar é só ideia de completo louco…
E já passei daí e nem quero saber!
Apenas quero saber quando deixa de doer!

E senão deixar…
Fica assim!
Eu quero acabar,
Pôr-lhe um fim…

Friday, November 24, 2006

Chamar-te...


eu também
te chamo
mas não estás
e nesta ausência me desfaço
falta do teu abraço
de estar contigo
ser teu amigo
ou mais que isso
esquiço
de um beijo
louco de desejo
esperança oca
esperar que seja na boca!

Tuesday, October 31, 2006

Afogando-me em ti


foto in Olhares.com


Conheço a tua mão,
Como se fosse marinheiro,
E ela um mapa.
Bússola é o coração,
Em ti, rumo por inteiro,
Nenhum vento escapa!

Mas... (deve ser da ondulação)
Tenho no estomago este nó,
Um aperto no coração!
A sensação que a vida é pó,
Sempre a fugir da nossa mão!

Gostava de perceber...
O que está acontecer,
Neste vento suão,
Que ao te amar,
Me sinto a afogar... a afogar...

Thursday, October 12, 2006

Cansei de Amar


Cansei de amar
Desse jeito louco
Que me sabia sempre a pouco
Não tem mais sentido
Acabar caído
Nessa frustração
No final da paixão!

Cansei de amar
Dessa forma tola
De quem não bate bem da bola!
Porque acaba sempre no fim
Num sabor amargo assim
De ficar vazio e só
A sacudir o pó!

Cansei de amar
Como se não huvesse amanhã
Porque no outro dia vou acordar
E sentir a vida fútil e vã
E procurar novo doido amor
Pra no final
Restar apenas dor
E sentir-me mal!

Cansei de amar
E páro por aqui!
Antes de perder as asas,
Poderei voar
Para ao pé de ti...

Friday, September 01, 2006

Arde!

foto por Irene Suchocki 

Oh sim, acende em meu corpo esse fogo,
Esse calor de um braseiro que consome!
Sê a minha roleta russa ou outro jogo,
Sê tu o alimento que sacia a minha fome!

Quero-te! Quero-te até ao rasgar da pele,
Até esta agonia que leva lágrimas ao olhar!
O teu corpo há-de ser céu, lua-de-mel,
E eu hei-de ganhar asas, para nele voar!

Inventa o que quiseres, mas põe-te nua,
E sussurra o meu nome ao meu ouvido!
Pode ser um nome qualquer esquecido,
Porque direi ‘amo-te’ pra se ouvir na rua!

O depois será amargo por certo.
Ficarei longe do teu abraço, do aperto,
Das tuas coxas mexendo de desejo,
E é tanta a luz, que cego já não vejo!

Não deixes a meio esta superlativa união,
Feita do que é antigo e do que é moderno.
Deita tudo nesse fogo que é paixão!
Arde! Arde que é céu e parece inferno! Posted by Picasa

Friday, August 25, 2006

Lume e Fogo

foto por Michel Heteronimus Posted by Picasa

Teu pudor
Me incita,
Excita,
Provoca o amor,
Acelera o coração!

Que calor!
Que paixão!
Teu seio desnudo,
Me queda mudo.
O que é isto?

Não resisto!
Persigo teu olhar,
Tua boca pra beijar!
Minhas mãos são aves,
Que no céu do teu corpo,
Tomam liberdades!

Porque é assim,
Este estopim,
Perigoso jogo?
Tu és lume
E eu sou fogo!